sábado, fevereiro 28, 2009
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Escorrendo pela madrugada sem sentido (originalmente publicado em 21/08/2005)
O meu pranto sempre surge como o tiro certo já calculado.
Ecoa nas minhas vísceras a essência da solidão.
Que seria o aprendizado de colher os frutos do não.
Tristeza é para si, felicidade é para os outros.
Sorrisos, do mundo dizem pouco.
Prefiro a rouquidão.
O silêncio intrínseco ao despudor da depressão.
Roubando o sentido dos passos em vão.
Pois o despropósito é companheiro de qualquer alegria.
Para quê e para onde?
Esses são motivos da introspecção lacrimosa.
E nos vastos minutos que me encontro com a irracionalidade completa.
Com a sensação de que na sua pureza, na sua premissa inicial, as decisões são completamente irracionais.
Retorno ao despropósito e aos passos em vão.
Sorrio a vida sem motivos.
E espero contente os dias de angústia que motivarão mais e mais dias.
A tristeza sempre deixa um resto de alegria quando se vai.
Namoram escondidas nos recantos da minha cabeça.
As lágrimas e sorrisos, abraçados, fomentando a máquina da vida.
Sofrida.
E incessante.
Ecoa nas minhas vísceras a essência da solidão.
Que seria o aprendizado de colher os frutos do não.
Tristeza é para si, felicidade é para os outros.
Sorrisos, do mundo dizem pouco.
Prefiro a rouquidão.
O silêncio intrínseco ao despudor da depressão.
Roubando o sentido dos passos em vão.
Pois o despropósito é companheiro de qualquer alegria.
Para quê e para onde?
Esses são motivos da introspecção lacrimosa.
E nos vastos minutos que me encontro com a irracionalidade completa.
Com a sensação de que na sua pureza, na sua premissa inicial, as decisões são completamente irracionais.
Retorno ao despropósito e aos passos em vão.
Sorrio a vida sem motivos.
E espero contente os dias de angústia que motivarão mais e mais dias.
A tristeza sempre deixa um resto de alegria quando se vai.
Namoram escondidas nos recantos da minha cabeça.
As lágrimas e sorrisos, abraçados, fomentando a máquina da vida.
Sofrida.
E incessante.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Sessão republicação n. 1: Jeremias
Jeremias cansou de viver.
Sentou e resolveu esperar.
E o mundo quando passou por ele, ao correr
Decidiu ao seu lado sentar.
Jeremias fingiu não lhe ver
Deitou e fingiu cochilar
Cochilou fingindo morrer
E ficou para sempre a sonhar.
Sentou e resolveu esperar.
E o mundo quando passou por ele, ao correr
Decidiu ao seu lado sentar.
Jeremias fingiu não lhe ver
Deitou e fingiu cochilar
Cochilou fingindo morrer
E ficou para sempre a sonhar.
terça-feira, janeiro 20, 2009
terça-feira, junho 10, 2008
Arrepios
Desde o último festival do teatro Lala Schneider, no qual participei atuando no espetáculo "Um passo a mais na escuridão", baseado em contos do nosso fabuloso amigo Edgar Allan Poe, despertou em mim um certo interesse por esse estilo peculiar de literatura e estética.
Há pouco, enquanto eu assistia pela quinta ou sexta vez um curta-metragem fantástico do Tim Burton chamado Vincent, lembrei-me que estive a desenhar uma boa porção de linhas num esboço de um CONTO que segue esse estilo de REALISMO-FANTÁSTICO-MACABRO.
Lembrei também que era o caso de continuar a escrevê-lo. E nesse momento exato uma rajada de vento pra lá de OBSCURA atingiu a minha janela.
E esse fato repetiu-se com um ritmo cada vez mais sinistro durante a leitura do referido esboço.
É.
Só não sei se esses pequenos vislumbres do SOBRENATURAL me aproximam ou me afastam da completude.
Há pouco, enquanto eu assistia pela quinta ou sexta vez um curta-metragem fantástico do Tim Burton chamado Vincent, lembrei-me que estive a desenhar uma boa porção de linhas num esboço de um CONTO que segue esse estilo de REALISMO-FANTÁSTICO-MACABRO.
Lembrei também que era o caso de continuar a escrevê-lo. E nesse momento exato uma rajada de vento pra lá de OBSCURA atingiu a minha janela.
E esse fato repetiu-se com um ritmo cada vez mais sinistro durante a leitura do referido esboço.
É.
Só não sei se esses pequenos vislumbres do SOBRENATURAL me aproximam ou me afastam da completude.
segunda-feira, junho 09, 2008
A explosão do detestável
Das coisas irritantes que impregnam (eis aí um verbo horrível) a minha vida no último MILÊNIO, destaco a falta de aperitivos na DESPENSA.
Corre toda pândega a madrugada e eu continuo aqui, refém da GULA.
Neste último desjejum noturno que transcorreu na residência da senhora minha avó, sorvi grandes quantidades de diversos tipos de NOURRITURE. Desde sopa de batata a torta de banana, passando por pão com queijo e mortadela e chocolate branco com passas e castanhas.
Contudo, não me basta.
Era a casa da minha AVÓ. E visto que moro com a minha MÃE, não me satisfaz saber que aqui aonde gasto diversas voltas de relógio não existe qualquer espécie de comida fácil.
Há muito o que se comer, não nego. Mas tudo depende de facas e pratos, microondas e disposição. Não existem lanches miúdos ou mesmo graúdos. Ou gaúchos (?)
TUDO POR UM PACOTE DE DORITOS.
Pois é, fica aí o meu protesto.
Corre toda pândega a madrugada e eu continuo aqui, refém da GULA.
Neste último desjejum noturno que transcorreu na residência da senhora minha avó, sorvi grandes quantidades de diversos tipos de NOURRITURE. Desde sopa de batata a torta de banana, passando por pão com queijo e mortadela e chocolate branco com passas e castanhas.
Contudo, não me basta.
Era a casa da minha AVÓ. E visto que moro com a minha MÃE, não me satisfaz saber que aqui aonde gasto diversas voltas de relógio não existe qualquer espécie de comida fácil.
Há muito o que se comer, não nego. Mas tudo depende de facas e pratos, microondas e disposição. Não existem lanches miúdos ou mesmo graúdos. Ou gaúchos (?)
TUDO POR UM PACOTE DE DORITOS.
Pois é, fica aí o meu protesto.
terça-feira, fevereiro 26, 2008
segunda-feira, outubro 01, 2007
O blablabla, essa conversinha fiada que a gente suporta todos os dias de todos os tipos de pessoas.
Esse blablabla é suportável.
Por que todo mundo cresceu acostumado com lenga-lenga habitual, faz parte do ser humano utilizar-se da palavra para expressar bobagem, para dizer asneiras, muito embora às vezes alguém considere o SEU blabla DEVERAS indispensável para o curso da civilização.
Mas existe um outro nível de blabla. O Blabla pretensiosamente eloqüente.
Meu Deus. Existe alguma coisa mais insuportável que ser obrigado a ler em todos os lugares, principalmente perfis cibernéticos, uma seleção de palavras incomuns, articuladas de forma completamente equivocada, que não passam de CONVERSA FIADA?
A proliferação da pseudo-retórica, da pseudo-poesia no CENTRO do CÍRCULO JOVEM é uma grande e gorda DESGRAÇA.
Parece que existe uma obrigação em se distinguir das outras pessoas através do bom uso da palavra.
E por bom uso podemos considerar a utilização de metáforas em redações autobiográficas.
Parece que as pessoas foram contaminadas pela noção de que somente por expressões notavelmente artísticas é que elas poderão se distinguir no meio da multidão.
Mas, adivinha só?
A multidão se transformou numa imensa AMÁLGAMA de poesia RUIM.
Uma IMENSA BOLA de mal gosto.
Então, meu amigo, meu AMIGUINHO, não pense que as figuras de linguagem primárias que você empregar vão te salvar da mediocridade. A mediocridade está presente aqui, e com muito mais peso e muito mais relevância, neste pequeno grande mundo POÉTICO e RETÓRICO.
Esse blablabla é suportável.
Por que todo mundo cresceu acostumado com lenga-lenga habitual, faz parte do ser humano utilizar-se da palavra para expressar bobagem, para dizer asneiras, muito embora às vezes alguém considere o SEU blabla DEVERAS indispensável para o curso da civilização.
Mas existe um outro nível de blabla. O Blabla pretensiosamente eloqüente.
Meu Deus. Existe alguma coisa mais insuportável que ser obrigado a ler em todos os lugares, principalmente perfis cibernéticos, uma seleção de palavras incomuns, articuladas de forma completamente equivocada, que não passam de CONVERSA FIADA?
A proliferação da pseudo-retórica, da pseudo-poesia no CENTRO do CÍRCULO JOVEM é uma grande e gorda DESGRAÇA.
Parece que existe uma obrigação em se distinguir das outras pessoas através do bom uso da palavra.
E por bom uso podemos considerar a utilização de metáforas em redações autobiográficas.
Parece que as pessoas foram contaminadas pela noção de que somente por expressões notavelmente artísticas é que elas poderão se distinguir no meio da multidão.
Mas, adivinha só?
A multidão se transformou numa imensa AMÁLGAMA de poesia RUIM.
Uma IMENSA BOLA de mal gosto.
Então, meu amigo, meu AMIGUINHO, não pense que as figuras de linguagem primárias que você empregar vão te salvar da mediocridade. A mediocridade está presente aqui, e com muito mais peso e muito mais relevância, neste pequeno grande mundo POÉTICO e RETÓRICO.
quinta-feira, setembro 27, 2007
quarta-feira, setembro 26, 2007
Agora éramos nós
Nós e a nossa coragem
E a nossa incrível incapacidade
De sorrir na multidão
Nós e a nossa coragem
E a nossa incrível incapacidade
De sorrir na multidão
Agora éramos nós
Nós que lutávamos calados
Sem julgar o próprio peso
Sem medir o próprio chão
Que sentíamos romper o coração
Que sabíamos romper a conformidade
De viver em rendição.
Unidos pela mesma vontade
Pela grande incapacidade
De sorrir na multidão
Imbatíveis, inabaláveis
Sentindo o cansaço da própria alma
E a fadiga, longe do coração.
segunda-feira, agosto 27, 2007
RPC
Veiculou ontem na RPC uma pequena participação minha no quadro LOUCO de BOM do programa REVISTA RPC que vai ao ar todos os domingos após o fantástico.
O quadro é dividido em duas partes e infelizmente a emissora disponibilizou na internet somente a FRAÇÃO em que minha tão NOBRE e GALANTE figura está AUSENTE da FOTOGRAFIA.
Ou quem sabe eu não tenha perscrutado direito os MEANDROS e as VIELAS do site da RPC.
Se alguém quiser procurar, o link é este aqui
O quadro é dividido em duas partes e infelizmente a emissora disponibilizou na internet somente a FRAÇÃO em que minha tão NOBRE e GALANTE figura está AUSENTE da FOTOGRAFIA.
Ou quem sabe eu não tenha perscrutado direito os MEANDROS e as VIELAS do site da RPC.
Se alguém quiser procurar, o link é este aqui
domingo, agosto 26, 2007
Não sei se foi loteria, mas acho que ONTEM foi o dia em que meu ORKUT ficou extremamente FEIO.
Dei uma certa ESPECULADA e constatei que não foi com todo mundo.
FLAGRE:

Diz aqui, no blog oficial do orkut, que eles estão implementando o novo visual para "alguns grupos de usuários". E diz ainda: "acrescentamos alguns cantos arredondados e novos ícones que tornam a aparência do orkut um pouco mais elegante e moderna."
Ora, francamente. É certo que trocaram ELEGÂNCIA com FURDÚNCIO VISUAL.
De todo modo, não é o primeiro site que confunde CONFUSO (trocadilho intencional) com MODERNO.
Dei uma certa ESPECULADA e constatei que não foi com todo mundo.
FLAGRE:

Diz aqui, no blog oficial do orkut, que eles estão implementando o novo visual para "alguns grupos de usuários". E diz ainda: "acrescentamos alguns cantos arredondados e novos ícones que tornam a aparência do orkut um pouco mais elegante e moderna."
Ora, francamente. É certo que trocaram ELEGÂNCIA com FURDÚNCIO VISUAL.
De todo modo, não é o primeiro site que confunde CONFUSO (trocadilho intencional) com MODERNO.
quinta-feira, agosto 23, 2007
quinta-feira, maio 17, 2007
Não me enfraquece a irrealização de sonhos.
Não me enfraquece o tempo por vir.
Não me enfraquecem os episódios de falsa reciprocidade.
Não me enfraquece reconhecer a estupidez.
Não me enfraquece viver sem causa certa.
Não me enfraquece a descrença.
Não me enfraquece recometer o engano subreptício.
Não me enfraquece a ausência de mim mesmo.
Não me enfraquece a máquina do homem.
Não me enfraquece.
Minto.
Pois a mentira, não me enfraquece.
Não me enfraquece o tempo por vir.
Não me enfraquecem os episódios de falsa reciprocidade.
Não me enfraquece reconhecer a estupidez.
Não me enfraquece viver sem causa certa.
Não me enfraquece a descrença.
Não me enfraquece recometer o engano subreptício.
Não me enfraquece a ausência de mim mesmo.
Não me enfraquece a máquina do homem.
Não me enfraquece.
Minto.
Pois a mentira, não me enfraquece.
segunda-feira, março 26, 2007
Ser ou não ser? Os dois com certeza.
Ontem, na verdade antes de ontem, na quarta-feira desta semana infernal, foi a minha colação de GRAU no curso de DIREITO da UFPR.
Tudo cheio de GLAMOUR, PRESTÍGIO e uma faixa muito simpática no primeiro balcão a qual consagrou eu e meus amigos BUNDOLHES, PÊLEGONE e MENINA como novos membros da ADEBRA.
Depois da cerimônia toda seguiram mais comemorações com os parentes e afins.
E durante essas comemorações INTERMINÁVEIS, sempre surgem as perguntas típicas: "E o exame da OAB? E qual carreira você vai seguir? Com quantos anos você começou a ter fixação por MARSUPIAIS?" E todas as derivadas.
A minha resposta, às vezes menos direta conforme a pessoa, sempre é: "Vou fazer teatro na França."
E é a minha resposta, pois é a verdade.
Depois disso segue toda espécie de reação possível: desde "MEU DEUS!" passando por "Você está de brincadeira!" até a mais ingênua e ignorante de todas "Eu não acredito que você perdeu 5 anos na faculdade pra isso".
Funciona mais ou menos como se eu servisse um fillet mignon (O diploma de DIREITO na UFPR) e depois jogasse merda de ornitorrinco em cima.
E isto é ABSOLUTAMENTE insuportável. Não existe nada mais abominável do que alguém que nem te conhece direito pairar sobre você um olhar de DÚVIDA.
Pessoas que não fizeram nada de mais das suas vidas medíocres e, por isso, querem que eu me congele dentro dessa bolha cretina de SEGURANÇA frustrada ao invés de aproveitar que ainda tenho 22 anos e posso arriscar para CARÁLEO.
Então, meu amigo, para duvidar de mim já tenho o resto do MUNDO. Se você faz parte desse grupo cretino, guarde seus comentários nas suas nádegas.
Demorei tempo demais pra tomar a minha vida pra mim mesmo e aprender a arriscar e tomar decisões realmente relevantes. Não é a sua sobrancelha arqueada que vai me fazer mudar de idéia.
PORRA.
Eu preciso de encorajamento e apoio e se você me vier fazer o contrário, traga bons argumentos ou vai ser mais um reclamando da minha "atitude grosseira".
Tudo cheio de GLAMOUR, PRESTÍGIO e uma faixa muito simpática no primeiro balcão a qual consagrou eu e meus amigos BUNDOLHES, PÊLEGONE e MENINA como novos membros da ADEBRA.
Depois da cerimônia toda seguiram mais comemorações com os parentes e afins.
E durante essas comemorações INTERMINÁVEIS, sempre surgem as perguntas típicas: "E o exame da OAB? E qual carreira você vai seguir? Com quantos anos você começou a ter fixação por MARSUPIAIS?" E todas as derivadas.
A minha resposta, às vezes menos direta conforme a pessoa, sempre é: "Vou fazer teatro na França."
E é a minha resposta, pois é a verdade.
Depois disso segue toda espécie de reação possível: desde "MEU DEUS!" passando por "Você está de brincadeira!" até a mais ingênua e ignorante de todas "Eu não acredito que você perdeu 5 anos na faculdade pra isso".
Funciona mais ou menos como se eu servisse um fillet mignon (O diploma de DIREITO na UFPR) e depois jogasse merda de ornitorrinco em cima.
E isto é ABSOLUTAMENTE insuportável. Não existe nada mais abominável do que alguém que nem te conhece direito pairar sobre você um olhar de DÚVIDA.
Pessoas que não fizeram nada de mais das suas vidas medíocres e, por isso, querem que eu me congele dentro dessa bolha cretina de SEGURANÇA frustrada ao invés de aproveitar que ainda tenho 22 anos e posso arriscar para CARÁLEO.
Então, meu amigo, para duvidar de mim já tenho o resto do MUNDO. Se você faz parte desse grupo cretino, guarde seus comentários nas suas nádegas.
Demorei tempo demais pra tomar a minha vida pra mim mesmo e aprender a arriscar e tomar decisões realmente relevantes. Não é a sua sobrancelha arqueada que vai me fazer mudar de idéia.
PORRA.
Eu preciso de encorajamento e apoio e se você me vier fazer o contrário, traga bons argumentos ou vai ser mais um reclamando da minha "atitude grosseira".
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Custa muito caro ser uma pessoa INTROSPECTIVA.
As pessoas confundem introspecção com todas as possibilidades negativas possíveis, desde presunção até isolamento social e depressão. Eu tive meus momentos de sociabilidade durante essa longa jornada por esse mundão todo, mas na essência eu nunca larguei mão da introspecção.
Não sei até que ponto isso é um problema exatamente.
Minha introspecção é razoavelmente limitada, ela varia de acordo com cada pessoa, o que é bastante presumível e aceitável.
Quando pequeno, eu morei em vários locais de Curitiba, e tive amigos bem variados e convivi com pessoas muito diferentes umas das outras.
Assim, eu me julgava um camaleão.
Mas eu cresci e a minha cabeça ficou grande demais e já não sei mais me ADAPTAR ao meio.
E hoje, vida de verdade, nesse mundo em que é vital ter os contatos certos, minha falta de sorrisos se revela bastante prejudicial.
Mesmo assim, não consigo internalizar essa necessidade de socializar.
Alguém tem alguma solução?
As pessoas confundem introspecção com todas as possibilidades negativas possíveis, desde presunção até isolamento social e depressão. Eu tive meus momentos de sociabilidade durante essa longa jornada por esse mundão todo, mas na essência eu nunca larguei mão da introspecção.
Não sei até que ponto isso é um problema exatamente.
Minha introspecção é razoavelmente limitada, ela varia de acordo com cada pessoa, o que é bastante presumível e aceitável.
Quando pequeno, eu morei em vários locais de Curitiba, e tive amigos bem variados e convivi com pessoas muito diferentes umas das outras.
Assim, eu me julgava um camaleão.
Mas eu cresci e a minha cabeça ficou grande demais e já não sei mais me ADAPTAR ao meio.
E hoje, vida de verdade, nesse mundo em que é vital ter os contatos certos, minha falta de sorrisos se revela bastante prejudicial.
Mesmo assim, não consigo internalizar essa necessidade de socializar.
Alguém tem alguma solução?
domingo, fevereiro 04, 2007
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Hmmm.
Ela entra na casa e sente o vapor abafado, o cheiro de suor e o encontra ali, deitado, imerso na escuridão.
Ela: Onde foi que você esteve?
Ele: Estive aqui, todo esse tempo, pensando.
Ela vai até a janela e abre bruscamente as cortinas, antecipando uma reação que não vem - ele permanece imóvel.
Ele: Estive aqui deitado, recostado nessa revolução, pensando. Todo esse tempo.
Ela: Eu não me lembro de tê-lo visto em condições como essas antes.
Ele: Estou apenas aqui, deitado, reavaliando uma porção de coisas.
Ela: Pois eu não consigo raciocinar deitada na cama, o sangue não corre como deveria e a lógica se perde toda numa imensidão nebulosa.
Ele: Eu não preciso de tantos estímulos como você.
Ela: Bem o vejo. Faz dias que o céu está cinza e não cai sequer uma gota do céu. No povoado um senhor me disse que as nuvens estão preguiçosas. Interessante foi que ele o disse apontando para mim e não para as nuvens. Eu não soube o que lhe responder.
Ele: Devia ter lhe sugerido que as nuvens estão idosas.
Ele se senta na cama abruptamente e busca um copo de água o qual sorve de maneira silenciosa.
Ele: Hoje quando acordei, e vi que você não estava, me percebi capaz de tantas coisas. Então permaneci deitado, brincando de enumerar possibilidades posteriores... se você não voltasse mais.
Ela repete a frase num murmúrio introspectivo
Ela: Se você não voltasse mais...
Ele: Se você não voltasse mais eu me contentaria em permanecer dias inteiros aqui, deitado, recostado nessa revolução. E tudo prestaria apenas para recordar os momentos em que você estava ausente, como hoje. Seriam dias de um respirar aliviado, dias de sossego para o coração.
Ele se desprende do pequeno devaneio e após uma pausa aborrecida, manifesta-se.
Ele: Mas não, o término dessa intromissão está longe de ser anunciado.
Ela: Eu precisava voltar, os armários estão vazios.
Ele: Sim, vazios, como sempre estiveram.
Ela: Esta casa e seus armários vazios. Desde a primeira vez em que saí por aquela porta e resolvi retornar, eu sabia que não poderia mais deixar de...
Ele: Eu soube antes mesmo de você voltar. Você saiu e deixou todas estas janelas e molduras vazias. Estes quadros sem retratos. Eu os preenchi enquanto pude, mas você retornou e eles tornaram a ficar vazios. No decorrer da sua ausência eu os preenchia com toda espécie de gravuras. Na sua ausência, eu os fazia transbordar de você.
Ela: Os armários estão vazios, mas percebo que a sua boca permaneceu infestada de palavras.
A crítica é seguida de longo silêncio interrompido por ela.
Ela: Desculpe, não tive intenção de...
Ele: Não tem importância.
Ela: Sim, mas eu insisto em dizer que...
Ele: Agora já não tem mais importância. (ele suspira longamente e se levanta) Está ouvindo isso? Este novo vizinho passa horas inteiras se dedicando ao violino. Quando pequeno me hipnotizava o som do violino. Para mim era como se pairasse um sorriso no ar quando ouvia alguém tocá-lo.
Ela: Bem me lembro de você ter insistido incessantemente para que eu aprendesse a tocar o bendito violino.
Ele: E você nem mesmo esboçou um interesse em fazê-lo pelo que me recordo.
Ela: Eu nunca entendi por que você mesmo não aprendeu a tocar.
Ele: Você nunca entendeu muitas coisas a meu respeito!
Ela: Você nunca permitiu que eu entendesse! Você nunca permitiu que eu realmente fizesse parte disso tudo ou de coisa alguma que não fosse exatamente aquilo que lhe agradasse, como este estúpido violino! (ela parece entrar num acesso de histeria mas rapidamente se controla).
Ela: Onde foi que você esteve?
Ele: Estive aqui, todo esse tempo, pensando.
Ela vai até a janela e abre bruscamente as cortinas, antecipando uma reação que não vem - ele permanece imóvel.
Ele: Estive aqui deitado, recostado nessa revolução, pensando. Todo esse tempo.
Ela: Eu não me lembro de tê-lo visto em condições como essas antes.
Ele: Estou apenas aqui, deitado, reavaliando uma porção de coisas.
Ela: Pois eu não consigo raciocinar deitada na cama, o sangue não corre como deveria e a lógica se perde toda numa imensidão nebulosa.
Ele: Eu não preciso de tantos estímulos como você.
Ela: Bem o vejo. Faz dias que o céu está cinza e não cai sequer uma gota do céu. No povoado um senhor me disse que as nuvens estão preguiçosas. Interessante foi que ele o disse apontando para mim e não para as nuvens. Eu não soube o que lhe responder.
Ele: Devia ter lhe sugerido que as nuvens estão idosas.
Ele se senta na cama abruptamente e busca um copo de água o qual sorve de maneira silenciosa.
Ele: Hoje quando acordei, e vi que você não estava, me percebi capaz de tantas coisas. Então permaneci deitado, brincando de enumerar possibilidades posteriores... se você não voltasse mais.
Ela repete a frase num murmúrio introspectivo
Ela: Se você não voltasse mais...
Ele: Se você não voltasse mais eu me contentaria em permanecer dias inteiros aqui, deitado, recostado nessa revolução. E tudo prestaria apenas para recordar os momentos em que você estava ausente, como hoje. Seriam dias de um respirar aliviado, dias de sossego para o coração.
Ele se desprende do pequeno devaneio e após uma pausa aborrecida, manifesta-se.
Ele: Mas não, o término dessa intromissão está longe de ser anunciado.
Ela: Eu precisava voltar, os armários estão vazios.
Ele: Sim, vazios, como sempre estiveram.
Ela: Esta casa e seus armários vazios. Desde a primeira vez em que saí por aquela porta e resolvi retornar, eu sabia que não poderia mais deixar de...
Ele: Eu soube antes mesmo de você voltar. Você saiu e deixou todas estas janelas e molduras vazias. Estes quadros sem retratos. Eu os preenchi enquanto pude, mas você retornou e eles tornaram a ficar vazios. No decorrer da sua ausência eu os preenchia com toda espécie de gravuras. Na sua ausência, eu os fazia transbordar de você.
Ela: Os armários estão vazios, mas percebo que a sua boca permaneceu infestada de palavras.
A crítica é seguida de longo silêncio interrompido por ela.
Ela: Desculpe, não tive intenção de...
Ele: Não tem importância.
Ela: Sim, mas eu insisto em dizer que...
Ele: Agora já não tem mais importância. (ele suspira longamente e se levanta) Está ouvindo isso? Este novo vizinho passa horas inteiras se dedicando ao violino. Quando pequeno me hipnotizava o som do violino. Para mim era como se pairasse um sorriso no ar quando ouvia alguém tocá-lo.
Ela: Bem me lembro de você ter insistido incessantemente para que eu aprendesse a tocar o bendito violino.
Ele: E você nem mesmo esboçou um interesse em fazê-lo pelo que me recordo.
Ela: Eu nunca entendi por que você mesmo não aprendeu a tocar.
Ele: Você nunca entendeu muitas coisas a meu respeito!
Ela: Você nunca permitiu que eu entendesse! Você nunca permitiu que eu realmente fizesse parte disso tudo ou de coisa alguma que não fosse exatamente aquilo que lhe agradasse, como este estúpido violino! (ela parece entrar num acesso de histeria mas rapidamente se controla).
sábado, janeiro 27, 2007
Por estas fendas adiante me aventuro
Pois interstícios que são de minha alma
Por estas fendas campeio obscuro
Não sou quem conduz a própria palma
O manejo segue firme ao meu comando
Mas a rédea escapa larga ao passeio
A solidez do conflito e o chão ultrapassando
Procuro as amarras de meu anseio
São vastas as imagens que vigio
Diversas as molduras que receio
Da palma o comando já não trilho
Pelo breu navego em lua cheia
Sou timão, sou mastro, sou estribilho.
Sou um senão no mar de minha veia.
Pois interstícios que são de minha alma
Por estas fendas campeio obscuro
Não sou quem conduz a própria palma
O manejo segue firme ao meu comando
Mas a rédea escapa larga ao passeio
A solidez do conflito e o chão ultrapassando
Procuro as amarras de meu anseio
São vastas as imagens que vigio
Diversas as molduras que receio
Da palma o comando já não trilho
Pelo breu navego em lua cheia
Sou timão, sou mastro, sou estribilho.
Sou um senão no mar de minha veia.
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